♫ ♪ não te darei flores, não te darei
elas murcham, elas morrem
não te darei presentes, não te darei
pois envelhecem e se desbotam
não te darei bombons, não te darei
eles acabam, eles derretem
não te darei festas, não te darei
elas terminam, elas choram, elas se vão
dar-te-ei finalmente os beijos meus
deixarei que esses lábios sejam meus, sejam teus
esses embalam, esses secam
mas esses ficam
não te darei bichinhos, não te darei
pois eles querem, eles comem
não te darei papeis, não te darei
esses rasgam, esses borram
não te darei discos, não
eles repetem, eles arranham
não te darei casacos, não te darei
nem essas coisas que te resguardam e que se vão
dar-te-ei a mim mesmo agora
e serei mais que alguém que vai correndo pro fim
esse morre, envelhece, acaba e chora, ama e quer, desespera
esse vai...
mas esse volta ♪ ♫
[dar-te-ei - Marcelo Jeneci]
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Tempos modernos
Dia desses, estava ajudando Arthur (no auge de seus 5 anos) a fazer um trabalho sobre o descobrimento do Brasil, com pesquisas, é claro, da internet:
- Tia, você já fez trabalho disso na escola?
- Já sim. Mas era diferente.
- Diferente? Por que?
- Porque não tinha internet.
- NÃO TINHA INTERNET???????? COMO ASSIM??????
- É Arthur, a internet se tornou acessível de uns 10, 12 anos pra cá. Antes, só empresas possuíam, e mesmo assim, no inicio nem eram todas as empresas, só as maiores.
- (chocado, com olhos arregalados) Nossa! E desde quando você tem internet?
- Desde uns 12 anos de idade.
- E antes como você fazia os trabalhos da escola?
- Pesquisando em livros.
- Nossa! Mas é muito complicado... demora muito!
- É carinha, mas era o jeito.
- Ainda bem que nasci nesse século e não no que passou.
Um pouco depois:
- Mas tia, como era? Tipo, assim que chegou a internet... era igual hoje?
- Não. Pra começar, era cobrado a cada acesso pelo tempo que se ficava conectado. Não tinha orkut, twitter e msn. Jogos on line eram raríssimos. (tentando explicar na linguagem dele)
- Não tinha Colheita Feliz????????????
- Não. E nem essa facilidade toda para encontrar músicas, vídeos e coisas desse tipo.
- Nem youtube?
- Não.
- Credo. A vida devia ser um tédio.
Pois é Arthur...
- Tia, você já fez trabalho disso na escola?
- Já sim. Mas era diferente.
- Diferente? Por que?
- Porque não tinha internet.
- NÃO TINHA INTERNET???????? COMO ASSIM??????
- É Arthur, a internet se tornou acessível de uns 10, 12 anos pra cá. Antes, só empresas possuíam, e mesmo assim, no inicio nem eram todas as empresas, só as maiores.
- (chocado, com olhos arregalados) Nossa! E desde quando você tem internet?
- Desde uns 12 anos de idade.
- E antes como você fazia os trabalhos da escola?
- Pesquisando em livros.
- Nossa! Mas é muito complicado... demora muito!
- É carinha, mas era o jeito.
- Ainda bem que nasci nesse século e não no que passou.
Um pouco depois:
- Mas tia, como era? Tipo, assim que chegou a internet... era igual hoje?
- Não. Pra começar, era cobrado a cada acesso pelo tempo que se ficava conectado. Não tinha orkut, twitter e msn. Jogos on line eram raríssimos. (tentando explicar na linguagem dele)
- Não tinha Colheita Feliz????????????
- Não. E nem essa facilidade toda para encontrar músicas, vídeos e coisas desse tipo.
- Nem youtube?
- Não.
- Credo. A vida devia ser um tédio.
Pois é Arthur...
sábado, 31 de julho de 2010
Paredes pintadas e grama cortada
- Que dia da semana é hoje?
Um vizinho que eu tenho tinha sempre perguntava ao berros quando me via passar na rua. Algumas vezes era mais direto e perguntava se era dia de lixo (no meu bairro terças, quintas e sábados). Ele devia ter uns 90 e tantos anos (quem estou tentando enganar? devia passar dos 100). Andava lentamente com sua bengala, cabelos ralos e brancos, e sua surdez que me fazia berrar para ser ouvida.
Minha rua tem um quarteirão e moro no final dele, de esquina. Já a casa dele era quase que na esquina do inicio da rua e para ir trabalhar passo na frente da casa e nesse horário ele sempre estava saindo para ir na padaria (bastava atravessar a rua). Ficava feliz por receber meu "bom dia", provavelmente porque as pessoas, em sua grande maioria, passavam por ele como se fosse invisivel.
A casa dele por sua vez, com a grama sempre alta e paredes que não viam uma lata de tinta há anos, no fundo, combinavam com seu morador.
Certa vez estava chegando na minha rua, quando vejo um senhor com ele meio que já sem paciência. Pensei que fosse filho ou algo assim, quando o simpático morador me viu do outro lado da rua (o que não tinha de audição, tinha de visão), me chamou e atravessei. O senhor estranho perguntou se eu o conhecia e eu disse que só morava na mesma rua. Então contou que o encontrou perdido perto do metrô (pouco menos de 1km daqui) e que como já o havia visto por aqui, o trouxe. De fato ele estava perdido, só não descobrimos como ele chegou até lá sozinho. O senhor queria saber se mais alguém morava na casa e com minha negativa, acabamos por deixá-lo dentro da casa em segurança. Depois fiquei pensando em quantas coisas poderiam ter acontecido. Minha rua (e as ruas ao redor) são tranquilas, os carros param para as pessoas passarem e o único comércio é uma padaria. Mas em direção ao metrô, o movimento aumenta, junto com os carros, faróis, buzinas, lojas, pessoas...
Pelo o que soube com uma vizinha fofoqueira, trata-se de um general aposentado e a família já havia tentado colocá-lo em uma casa de repouso, mas a saúde piora por ficar muito nervoso, quando o traziam de volta para casa, melhorava. Acabaram deixando aqui. Só achava um absurdo não colocarem uma enfermeira ou algo assim.
Fato é, parei de encontrá-lo quase uma semana. Em seguida fiquei 10 dias em Fortaleza e quando voltei havia uma placa de "aluga-se". Fiquei arrasada.
Uma família já mora na casa. Para meu desespero com crianças. Sim, me desespero em ter crianças como vizinhas. São barulhentas.
O que mais me deixa arrasada é passar na frente e ver a casa pintada e com a grama sempre cortada.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Período AI (antes da internet)
Hoje me dei conta que as pessoas viviam sem internet até alguns anos atrás e fiquei passada.
Eu, por exemplo, só fui ter um computador com internet discada (que na época era o máximo) com 12 anos, em 2000. No inicio era internet liberada nos finais de semana e depois da meia-noite, mas durante o dia só algumas poucas horas, afinal, era cobrado o tempo de conexão. Conexão essa que para ligar fazia uns barulhos estranhos e que eu sabia de cór. Assim que a Telefônica lançou o plano de internet ilimitada, convenci minha mãe a assiná-lo. Depois veio o Speedy, que pouco depois troquei pelo Virtua.
Hoje, pesquisando algumas coisas no trabalho foi que me dei conta disso tudo. Como eu faria para pesquisar tudo aquilo sem internet? Levaria meses para terminar o que fiz em uma ou duas horas.
Sim, só hoje me dei conta de que existia vida antes da internet. Acho inclusive que as escolas deviam incluir isso na linha do tempo das aulas de História: período antes da internet e depois.
Eu tinha dezenas de enciclopédias e era delas que tirava meus trabalhos escolares até a 5ª série. Finalmente após a 6ª minha vida mudou. Eu era a única da sala que tinha computador com internet em casa. Era o máximo.
Meu primeiro computador era, na época, uma graça! Monitor de 15º, com todos os itens coloridos (caixas de som, teclado, mouse, CPU). Foi quando o scanner era separado da impressora, e minha mãezinha, comprou ambos. Até microfone!
Não existia gravador de CD, camera ou coisas do gênero. Ele nem chegou a conhecer um cabo USB, pois o primeiro que tive contato foi da minha primeira camera digital, em 2004, quando já havia trocado de computador.
Não havia pedofilia na internet, sites de relacionamento, twitter e etc. Tinha ICQ. Eu tive até o AIM, que era o MSN da AOL (América OnLine, meu primeiro provedor de internet). Depois veio o MSN... em sua versão com 6 ou 7 smiles e sem imagem de exibição.
Gostava do ICQ. Fazia um barulho engraçado quando alguém chamava e também quando conectava, esse segundo, minha mãe dizia que parecia um navio.
Houve uma época em que o orkut era em inglês, tinha um limite de 12 fotos por usuário e você só entrava com convite de alguém que já possuía. Fui convidada pela Samara. Era necessário explicar o que era orkut. Não haviam comunidades "eu amo fulano". E se você fizesse muitas atividades com o perfil (entrar em muitas comunidades ou adicionar muitas pessoas) de uma vez, ficava com o perfil bloqueado (a foto de exibição era trocada por uma sombra atrás das grades). Fui presa várias vezes.
Ter um blog era cult. Era preciso ficar acordado até de madrugada para conseguir se cadastrar no fotolog.com, pois havia um limite de cadastros por dia. Levei semanas para conseguir me cadastrar.
O grande portal de buscas era "Cadê?", e o Google era uma simples segunda opção.
Salas de bate-papo eram legais, onde homens eram homens, mulheres não eram homens e adolescentes não eram a Polícia Federal disfarçada.
Esqueci algo?
Eu, por exemplo, só fui ter um computador com internet discada (que na época era o máximo) com 12 anos, em 2000. No inicio era internet liberada nos finais de semana e depois da meia-noite, mas durante o dia só algumas poucas horas, afinal, era cobrado o tempo de conexão. Conexão essa que para ligar fazia uns barulhos estranhos e que eu sabia de cór. Assim que a Telefônica lançou o plano de internet ilimitada, convenci minha mãe a assiná-lo. Depois veio o Speedy, que pouco depois troquei pelo Virtua.
Hoje, pesquisando algumas coisas no trabalho foi que me dei conta disso tudo. Como eu faria para pesquisar tudo aquilo sem internet? Levaria meses para terminar o que fiz em uma ou duas horas.
Sim, só hoje me dei conta de que existia vida antes da internet. Acho inclusive que as escolas deviam incluir isso na linha do tempo das aulas de História: período antes da internet e depois.
Eu tinha dezenas de enciclopédias e era delas que tirava meus trabalhos escolares até a 5ª série. Finalmente após a 6ª minha vida mudou. Eu era a única da sala que tinha computador com internet em casa. Era o máximo.
Meu primeiro computador era, na época, uma graça! Monitor de 15º, com todos os itens coloridos (caixas de som, teclado, mouse, CPU). Foi quando o scanner era separado da impressora, e minha mãezinha, comprou ambos. Até microfone!
Não existia gravador de CD, camera ou coisas do gênero. Ele nem chegou a conhecer um cabo USB, pois o primeiro que tive contato foi da minha primeira camera digital, em 2004, quando já havia trocado de computador.
Não havia pedofilia na internet, sites de relacionamento, twitter e etc. Tinha ICQ. Eu tive até o AIM, que era o MSN da AOL (América OnLine, meu primeiro provedor de internet). Depois veio o MSN... em sua versão com 6 ou 7 smiles e sem imagem de exibição.
Gostava do ICQ. Fazia um barulho engraçado quando alguém chamava e também quando conectava, esse segundo, minha mãe dizia que parecia um navio.
Houve uma época em que o orkut era em inglês, tinha um limite de 12 fotos por usuário e você só entrava com convite de alguém que já possuía. Fui convidada pela Samara. Era necessário explicar o que era orkut. Não haviam comunidades "eu amo fulano". E se você fizesse muitas atividades com o perfil (entrar em muitas comunidades ou adicionar muitas pessoas) de uma vez, ficava com o perfil bloqueado (a foto de exibição era trocada por uma sombra atrás das grades). Fui presa várias vezes.
Ter um blog era cult. Era preciso ficar acordado até de madrugada para conseguir se cadastrar no fotolog.com, pois havia um limite de cadastros por dia. Levei semanas para conseguir me cadastrar.
O grande portal de buscas era "Cadê?", e o Google era uma simples segunda opção.
Salas de bate-papo eram legais, onde homens eram homens, mulheres não eram homens e adolescentes não eram a Polícia Federal disfarçada.
Esqueci algo?
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